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1. « Aitia »

2. « atualização : julho 2002»

3. Traduções

Causa

  • ANGIONI Lucas. Física I e II. Rio de Janeiro: 1994, IFCH/ UNICAMP. Textos Didáticos. Conteúdo: Edição bilíngüe grego-português, notas.
  • SANTOS Mário Ferreira. Aristóteles e as Mutações ("Da Geração e da Corrupção das Coisas Físicas). São Paulo:1955, Logos. Coleção de Textos Filosóficos. Conteúdo: O texto está dividido em capítulos comentados pelo tradutor. Contém o livro I e o livro II.
  • BORNHEIM, Gerd. VALLANDRO, Leonel. Ética a Nicômaco. Traduzido da versão inglesa de W.D.Ross
  • CARVALHO, Antonio Pinto. Arte Retórica e Arte Poética. Introdução e notas de Jean Voilquin e Jean Capelle. São Paulo: 1964, Difusão Européia do Livro. Conteúdo: O livro está dividido em capítulos.
    Razão
  • KURY Mário da Gama. Política. Brasília: UnB, 1998. Conteúdo: Traduzido do grego, apresenta notas.
    Cause, raison, motif.
  • TRICOT.J.Métaphhysique.Paris:1991 Librairie Philosophique J.Vrin Tome I Análise e discussão e II. Conteúdo: Index com termos em grego/francês, notas e bibliografia complementar sobre Aristóteles.
  • TRICOT. J. Organon. IV Les Seconds Analytiques. Paris: 1966 Librairie Philosophique J.Vrin
  • TRICOT. J. Organon. Les Premiers Analytiques. Paris: 1966 Librairie Philosophique J.Vrin
  • TRICOT.J. Éthique a Nicomaque. Paris: Librairie Philosophique J. Vrin, 1972.

    4. Análise e Discussão

    4.1. Definições


    a) Definição de Aristóteles:

    Metafísica D, 1, 2
    1013 a 25/ 1014 a 25

    b) Outras definições:

    MICHELET Karl Ludwig. Examen Crítico de la Metafísica de Aristóteles. Trad. Rodolfo M. Agoglia. Buenos Aires: Ediciones Imán
    "La causa es, o bien la materia de una cosa, o su forma y su ejemplar, vale decir, su noción y su sustancia; o también, el princípio de su movimiento y de su cambio; y por último, el fin y los medios mediante los cuales se le alcanza. La misma cosa puede tener muchas causas: la estatua, por ejemplo, tiene por causa material al bronce y por causa eficiente al escultor. Las causas pueden también ser recíprocas; los ejercicios gimmásticos, son causa de la salud y la salud causa de tales ejercícios; pero los primeros lo son como causa eficiente, y la Segunda lo es como causa final. La misma cosa es causa de cosa opuestas; pues aquello cuya presencia origina una cosa produce, por su ausencia lo contrario. La ausencia del piloto es causa del naufragio mientras que su presencia hubiese salvado la embarcación; así, tanto la presencia como la privación, son causas eficientes."

    ABBAGNANO Nicola. Dicionário de Filosofia. trad. Alfredo Bosi. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1970.
    "Mas a primeira e verdadeira análise da noção de causa se encontra em Aristóteles. Aristóteles primeiramente afirma (Fis. , I, 1, 184 a 10) que conhecimento e ciência consistem em ter em conta as causas e nada são fora disso. Mas ao mesmo tempo ele nota que se perguntar a causa significa perguntar o porquê de uma coisa, esse porquê pode ser diferente e há portanto várias espécies de causas. Em um primeiro sentido, é causa aquilo de que uma coisa é feita e que permanece na coisa, por ex. , o bronze é causa da estátua e a prata da copa. Em um segundo sentido, a causa é a forma ou o modelo, isto é, a essência necessária ou substância de uma coisa Nesse sentido é causa do homem a natureza racional que o define. Em um terceiro sentido, é causa o que dá início ao movimento ou ao repouso: e por ex. , o autor de uma decisão é a acusa dela, o pai é causa do filho e em geral o que produz a mudança é causa da mudança. Em um quarto sentido, a causa é o fim e, por ex. , a saúde é a causa por que se passeia (Ibid. , II, 3, 194 b 16; Met., V, 2, 1013 a-b). Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final são portanto todas as causa possíveis segundo Aristóteles.
    Mas a advertência fundamental é que as quatro causas não estão no mesmo plano: há uma causa primeira e fundamental, um porquê privilegiado, que é o dado pela essência racional da coisa, da substância (De part. Na., I, 1, 639 b 14) A substância é a essência necessária, eternamente atual, princípio de realidade, portanto também do devir enquanto devir é a passagem da potência ao ato. Da substância depende a necessidade causal. [ Nas coisas artificiais, diz Aristóteles, a causa sendo esta tal coisa, é preciso, necessariamente, que essas outras coisas sejam feitas ou existam. Assim também na natureza, se o homem é isto, fará estas coisas e se faz estas coisas, lhe acontecerão outras.] (Fís., II, 9, 200 a 35). Em outros termos, a necessidade pela qual uma causa qualquer (das que Aristóteles distingue) é o que é. A necessidade causal é portanto a própria necessidade do ser enquanto ser, do ser substancial: a necessidade pela qual o que é não pode ser diferente do modo como é. A essa necessidade foge somente o que é acidental ou causal.
    A doutrina de Aristóteles demonstra a estreita conexão entre a noção de causa e a de substância. A causa é o princípio de inteligibilidade porque compreender a causa significa compreender a articulação interna de uma substância, isto é, a razão pela qual uma substância qualquer, por ex. , o homem ou Deus ou a pedra, é o que é e não pode agir diferentemente. Por ex., se o homem é "animal racional", o que ele é ou faz depende da sua substância assim definida, que opera como força irresistível para produzir as determinações do seu ser e do seu agir.
    BERTI, Enrico. As razões de Aristóteles. trad. Dion Davi Macedo. São Paulo: Edições Loyola, 1998.
    "A melhor definição - diz Aristóteles -, isto é, aquela que permite a demonstração mais completa das propriedades de um objeto, é a definição causal, aquela que indica a causa primeira pela qual o objeto é o que é. (II 10 Segundos Analíticos)"


      4.2.Etimologia
    a) (segundo CHANTRAINE, Pierre. Dictionaire de la Langue Grecque. Paris: Klincksiek, 1968.)
            
    aitioV: [responsável, que é causa de], freqüentemente tomado num sentido jurídico (Hom. , ion-att.) Notar a conservação de t frente à i, talvez favorisado pelo desejo de evitar uma confusão com aisioV (Schwyezer, Gr. Gr. 1, 270). Com um emprego diferente, é como aitew um derivado de *aitoV (cf. sob Et.). Compostos principais: an- privativo (Hom. , etc), ep- (Hom. , etc.), met- e summet-, par- (Esch. , etc.), sun- (Pl. , etc.), up (Antiph); de outra parte jilaitioV (Esch. , etc) [que ama acusar].
            A
    aitioV responde o subst. fem. aitia [responsabilidade] (Pi. , trag. , ion-att), de onde no vocabulário jurídico o sentido de [acusação], na língua filosófica este de [causa], no vocabulário médico equivale à [doença] (cf.Bickel, Gl.23, 213 sqq. ; Bjorck, Gl . 24, 215 sqq.). De onde (aitioV ou aitia) o denominativo aitiaomai já homérico no sentido de [acusar] cf. IL. 11, 645 cai anaition aitiwto, etc. ; usual em ionico-ático no sentido de [acusar, pôr em causa, alegar] aor. htiasamhn e no sentido passivo htiaqhn. Adj. verb. aitiatoV [causado] (Arist. , etc.) : to aitiaton [o efeito] em oposição à to aiton [a causa], de onde foi tirado aitiaticoV, notoriamente no aitiatich ptwsiV [ o acusativo] (aquele que está em causa), termo talvez criado pelos Estóicos, que serviram de modelo à lat. accusativus (Wackernagel, Vorlesungen 1, 19). Enfim aitiateon [que deve-se acusar] (X.) ou [alegar como causa] (PI.).
            
    Aitiamai se emprega com alguns pré-verbais: ant -, ep -, cat -, pros -, etc.
            
    Aitia ( ou aitioV) forneceu além disso alguns derivados nominais: aitiwdhV [causal] (filosofia helênica e posterior). Enfim a prosa tardia constituiu aitiwma (pap. , Act. Ap.) equivalente de aitiama (para a formação cf. chantraine, Formation, 186 sqq.) do mesmo aitiwsiV (Eust. 1422,21).
            Compostos:
    aitiologew , - logia , - logicoV , nos filósofos helenistas.
            
    Aitia, etc. , subsiste no grego moderno.
    Et. : Do termo *
    aitoV atestado no exaitoV, de ainumai [tomar], cf. também aisa, foram tirados de uma parte de aitew [ querer tomar, reclamar sua parte], de outra parte aitioV {que tem parte à], de onde [responsável] e o desenvolvimento jurídico e filosófico de Aitia [causa] e [acusação] [cita-se um desenvolvimento jurídico suficientemente diferente na av. aeta [ falta, punição].
    O desenvolvimento semântico de
    Aitia exerceu uma influência decisiva sobre aquele de lat. causa, ver Ernout-Meilleit s.v.

    b) segundo (BOSACF Émile. Dictionaire Étymologie de la Langue grecque. Étudié dans ses rapports avec les autres langues indo-européennes. Heidelberg: 1950. )

            
    Aitia f. 'causa motif'; aitioV 'que é a causa ou o autor de, responsável, culpado, acusado' (- ti - mantido frente - oV - à causa de aitia e para evitar a confusão com aisioV 'faustus' Kretschmer KZ. 30, 574. 584); aitiaomai 'olhar como autor de, acusar. Aparentado à ainumi 'tomar' exaijnhV 'escolhido' por Vanicek I 79, Prellwitz 8 sq. Não satisfaz a semântica. Parente de skr. enah 'falta, pecado, crime' para L. Meyer II 81e Lambert De dial. Aeol. 50.
            
    BAILLY . A Dictionaire Grec-Français.Paris: Hachete, 1950
    Causa, motif, a razão, o porquê, com genitivo. da pessoa. que está em causa de alguma coisa, um deus está em, acusação, ofensa, correção, ser acusado de alguma coisa, ser acusado de, cair sobre o golpe de uma acusação, estar implicado numa acusação.

      4.3. Passagens Importantes

    Física 194 b 23 ANGIONI

    "Assim, pois, de um certo modo causa se diz aquilo a partir de que algo vem a ser, e que está imanente naquilo que vem a ser, tal como, por exemplo, o bronze da estátua e da prata da taça, bem como os gêneros dessas coisas; de um outro modo, porém, causa se diz a forma e o modelo, e isso é o enunciado do quê-era-ser e os seus gêneros (por exemplo: do diapasão, o enunciado é dois para um, e, em geral, a relação numérica) e as partes que estão no enunciado. E, além disso, se diz causa aquilo de onde é o começo primeiro da mudança ou do repouso, como, por exemplo, é causa aquele que deliberou, assim como o pai o é da criança, e que em geral, o produtor o é do produzido e aquilo que faz a mudança o é daquilo que se muda Além disso, se diz causa tal como o fim: e isso é o em vista de que, como, por exemplo, do caminhar, a saúde; pois por que caminha? Dizemos a fim de que tenha saúde, e assim dizendo, julgamos ter aduzido a causa. E. por certo, também se diz causa tudo aquilo que algum outro princípio tendo iniciado o movimento - vem a ser na intermediação para o fim, como, por exemplo, da saúde, são causas o emagrecimento ou a purgação ou as drogar ou os instrumentos; pois todos esses são em vista do fim, mas diferem entre si porque uns são operações, ao passo que outros são instrumentos."

    Física 195 a 23 ANGIONI

    "Assim, portanto, as causas se dizem, por assim dizer, nesses tantos modos, e ocorre que, sendo ditas as causas em muitos modos, há inclusive várias causas para a mesma coisa, e não segundo acidente; por exemplo, da estátua, é causa tanto a arte de confeccionar estátuas como também o bronze, e não segundo alguma outra coisa, mas sim enquanto estátua, embora não sejam causas segundo o mesmo modo, pois uma é como matéria, ao passo que a outra, por sua vez. É como aquilo de onde é o movimento. E há inclusive algumas causas recíprocas, tal como o esforçar-se em relação ao bom condicionamento corporal e este em relação ao esforçar-se em relação ao esforçar-se; mas não são causas segundo o mesmo modo, pois uma é como fim, ao passo que a outra é como origem de movimento."

    Física 195 a 11 ANGIONI

    " E além disso, há uma mesma causa para os contrários: pois às vezes responsabilizamos pelo (sc. efeito) contrário algo que está ausente, e quando está presente, é responsável por tal coisa; por exemplo, apontamos como causa do naufrágio do navio a ausência do piloto, cuja presença é causa da salvação."

    Física 195 a 15 ANGIONI

    "E todas as causas aqui mencionadas caem em quatro modos manifestos. Pois, por um lado, as letras das sílabas, bem, como a matéria dos fabricáveis, o fogo e, entre os corpos, os que são desse tipo, assim como as partes do todo e as hipóteses da conclusão, são causas como aquilo a partir de que, e desses, uns são como o subjacente, por exemplo, asa partes, ao passo que outros são como o quê-era-ser: o todo, a composição e a forma. Por outro lado, a semente, o médico, aquele que deliberou e, em geral, aquele que produz, todos eles são causas como aquilo de onde é o princípio de mudança ou parada; e outras coisas, por sua vez, são causas como o fim e o bem dos outros: pois o em vista de que tende a ser o melhor e o acabamento das outras coisas; e não faz nenhuma diferença dizer o bem em si mesmo ou o bem aparente."

    Física 195 a 32 ANGIONI

    "Além disso, as causas se dizem como o acidente e os seus gêneros, por exemplo, da estátua, de um certo modo a causa é Policleto, mas, de outro modo, é escultor-de-estátua, porque coincide ao escultor-de-estátua ser Policleto."

    Física 195 a 35 ANGIONI

    "E se diz causa também aquilo que contém o acidente, tal como, por exemplo, se o homem fosse causa da estátua ou, em geral, o animal. E dentre os acidentes, uns são de modo mais próximos que outros como, por exemplo, se o branco e o culto fossem ditos causa da estátua."

    Física 195 b 3 ANGIONI

    "E todos esses itens, tantos os que se enunciam apropriadamente como os que se dizem segundo acidente, são ditos, por um lado, como capazes, e, por outro lado, como efetivamente atuantes, por exemplo: do construir-se uma casa é causa ou o construtor ou o construtor construindo."

    Ética a Nicômaco 1167 b 31 BORNHEIM, Gerd. VALLANDRO, Leonel.

    "Mas a causa parece ter raízes mais profundas na natureza das coisas."

    Ética a Nicômaco 1112 a 31 BORNHEIM, Gerd. VALLANDRO, Leonel.

    "Porque como causas admitimos a natureza, a necessidade, o acaso, e também a razão e tudo que depende do homem."

    Política 1295 a 24 KURY

    "Pelas razões expostas estas são as espécies de tirania e este é o seu número".

    Da Geração e Corrupção das coisas Físicas 335 b 35 SANTOS

    "Assim, pois, a teoria desses filósofos não é, por essa razão, fundada; eles erraram também por negligenciar uma causa mais fundamental, pois rejeitaram a qüididade e a forma"

    4.4. Discussão conceitual



    5. Bibliografia

    5.1. Obras encadeadas hipertextualmente
    5.2. Outras obras

    6. Autores e Colaboradores, c/ data
    Glaucio Delaia Gomes 07/2002
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