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Subsídio
para um Léxico do Livro IV da Metafísica de Aristóteles Os termos destacados constam do Livro V. (a fonte grega será instalada em breve)
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exemplo verbete» « palavra grega
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definição do termo e justificação da tradução, se necessário elos hipertextuais remissão às passagens onde o termo aparece (segundo a paginação Bekker) Apotšmnw separar cortando | 1003a24. º ¢rc» princípio, origem, fundamento | 1003a26. º a„t…a | 1003a27. º a‡sqhsij sensação. º ¢n£gkh necessidade | 1006b30. ¢nagna‹oj (a, on) necessário º ¢nt…fasij contradição | 1007b18. ¢n£gw reduzir, conduzir. ¢podeiknumi (™legktikîj) demonstrar (por refutação) | 1006a15. ¢dÚnatoj (on) impossível | 1006a2. ¢ntike…mena (¢ntike…mai) opostos (particípio?) | 1004a9. º ¢pÒfasij negação | 1004a12. º ¢pous … a ausência. ¢nomoion dissemelhante | 1004a18. ¥nison desigual | 1004a18. ¢porhmai | 1004a34. º ¢pÒrhma objeto de controvérsia, questão discutível. Amart£nw errar | 1004b8. º ¢l»qeia verdade | 1005b3. ¢lhqeuw ¢lhqinoj º ¢pÒdexij demonstração | 1005a26. ¤ma simultaneamente. tÕ axiwma axioma. ¢mfibht»w estar em desacordo, discutir. a„tšw pedir, rogar (sentar um postulado – castelhano – Dicionário GxE de Yarza.
bšbaioj (a, on) firme | 1005b4.
dhloè tornar possível, fazer ver, mostrar, provar. º diafor£ diferença. o„ dialektikoi º dialektikh º dÒxa opinião. º duscšreia dificuldade.
º ˜terÒthj alteridade | 1004a22. ›teron diverso | 1004a18. º ™klog» seleção, extrato. º epist»mh (hj) ciência | 1003a21. enant…oj (adj.) (a, on) que está em frente, oposto. e‡rw dizer, falar | 1004a20. endekomai admitir, aceitar. ™lšgkw convencer, refutar. ›n
uno. tÕ fainÒmenon º fÚsij | 1006a3. tai fainÒmena Fa…nw FanerÒn evidente | 1006b6. º fqor£ corrupção.
figuras das predicações schVmata tw~n kathgoriw~n potência duvnami" realização ejnevrgeia sentido principal kuriwvtata A muitos pareceu estranho o fato de o livro IX ser concluído com uma discussão sobre a verdade, ele que tematizando a vigência como realização-que-abre-potência é o núcleo da investigação ontológica da Metafísica. Parecia estranho que a verdade, deixada pelo livro E no plano do pensamento discursivo como uma acepção secundária de dizer que algo é, surgisse neste capítulo 10 no esteio da determinação de ejnevrgeia, ainda por cima considerada como o sentido principal (primordial e determinante) do sentido dos entes! Adendo este que desconcertou não poucos filólogos e tradutores: houve quem o desconsiderasse, colocando-o entre colchetes ou o atribuisse aos nomes "verdadeiro" e "falso", contra a ordem natural da frase que o atribui, pela repetição da expressão toV deV, às palavras toV o!n e toV mhV o!n. Por outro lado, tal consideração despertou a ávida atenção do filósofo M. Heidegger no seu livro: "Sobre a Essência da Liberdade Humana, Introdução à Filosofia", que ressalta o fundo ontológico (e não meramente gnosiológico) da questão. verdadeiro ajlhqev"
desvelar a verdade ajlhqeuei~n Neste verbo, a idéia de ser verdadeiro provém da ação e do movimento de retirada (expressa no a privativo) de uma situação de ocultação, velamento e esquecimento (expressa no radical lhq-o mesmo de lanqavnw). Do radical de verdade (ver-), a única forma verbal existente é "verificar", que é uma ação de confirmação posterior à verdade mesma. Para manter a idéia do processo verbal, sem perder o elo com a palavra "verdade", optamos pela solução mista: "desvelar a verdade". falso yeu~do" falsear e!yeusqai ser reunido sugkei~sqai serem separadas dih/rh~sqai incomposto ajsuvnqeton estruturar-se uJpavrcei`n De a!rcei`n : principiar, dominar, governar, precedido da preposição uJpov : sob, por baixo - é o sustentar, fundamentar, estruturar(-se). captar qigei~n É, literalmente, alcançar tocando, em referindo-se a um ato simples do pensamento, é melhor traduzido por captar, menos restrito ao sentido do tato, abrangendo a idéia de percepção do sentido em geral. dizer favnai afirmação katavfasi" Ver enunciação. enunciação favsi" É o ato do simples dizer, o simples nomear, que antecede e assim difere da afirmação (katavfasi"), onde já a estrutura do dizer não é simples, mas comporta, junto à manifestação do ente em que o próprio ente sozinho se recolhe, um juízo acerca dele. o que é toV tiv ejstin Melhor do que J. Tricot, que traduz esta expressão por "essence", assim justifica Yebra sua opção: "Yo he considerado preferible traducir toV tiv ejstin por «la quididad» y toV tiv h!n ei^nai por «la esencia». Esta elección se apoya en una base meramente filológica: en toV tiv ejstin, el centro o núcleo significativo está en el pronombre interrogativo tiv, que es etimologicamente el quid latino, de donde se deriva el abstracto quidditas, «quididad»; en toV tiv h!n ei^nai, la carga semántica pesa sobre ei^nai, en latín esse, de donde vimos que, aunque malamente, salió el derivado essentia."(Metafísica de Aristóteles,XXXVIII). Nós, no entanto, sem esquecer que o uso determinado e repetido da expressão lhe confere o valor de um conceito específico, preferimos manter a literalidade da expressão, para não perder as nuances da composição do artigo com o pronome indeterminado e com o verbo. o que coincide toV sumbebhkov" A tradução do particípio perfeito de sumbaivnw, isto é, sumbebhkov", por acidente, tornou-se clássica a partir do século XIII, tendo sido realizada por Wilhelm de Mörbecke (havendo quem a atribua a Boécio) e da qual apropriou-se o próprio Sto Tomás de Aquino. A autoridade do principal estudioso de Aristóteles do período escolástico tornou, portanto, a partir de então, usual o termo acidente para traduzir sumbebhkov". Julgamos, entretanto, que esta tradução desviou-se ao longo da tradição do sentido da expressão original, composta da preposição sun (literalmente, com, junto de) e do verbo baivnw (separar, apartar as pernas, andar). Juntas, porém, as duas expressões formam o verbo supracitado (sumbaivnw), que quer dizer: ir juntamente, reunir-se com, estar de acordo, co-incidir. Ora, segundo a estrutura morfológica do vocábulo grego, pareceu-nos não haver correspondente melhor que coincidente, pois, além de conter a preposição com (que é o melhor correspondente de sun em língua portuguesa: traz a idéia de encontro e não apenas justaposição como no caso de ad- ), segue-se do verbo incidir, que, por sua vez, mantem duplamente o sentido de baivnw. Pois, por um lado, incidente (do radical caedere, cair) traduz-se por superveniente, aquilo que incide, que sobrevem, recai, incorre, ou mesmo, acontece. Coincidir é, portanto, seguindo o sentido de sumbaivnw, acontecer com, dar-se com, incorrer com, sobrevir com, reunir-se, acontecer ao mesmo tempo etc... Por outro lado, segundo um uso arcaico da língua portuguesa proveniennte de outra raiz semântica, incidir (que possui também a forma incindir) conserva o sentido do verbo grego baíno de dividir, separar, completando, assim, o conjunto das acepções possíveis da expressão original. Acidente já não exprime o sentido do pensamento que Aristóteles pretende dar a sumbebhkov", pois sugere uma idéia de exclusiva casualidade estranha às pretensões do estagirita. Sumbebhkov" não remete somente a algo casual, mas aos diversos modos de ser e de dizer no encontro daquilo que existe por si (a vigência), e à sua estrutura de aparição categorial. Sumbebhkov", o coincidente, não pode ser separadamente, ou seja, co-incide necessariamente com ousia, dá-se junto, ao mesmo tempo, trazendo-a à luz. entidade oujsiva A palavra oujsiva é, morfologicamente, a "substantivação abstrata" do particípio presente do verbo ei^nai, como diz Yebra: "...el abstracto griego oujsiva no se forma sobre el participio femenino oujsa, sino sobre el tema del participio en general, ont-, común a los tres géneros: ante la i del sufijo -ia que desde Homero se usa para formar abstractos, la t se convierte en s, ocasionando así la desaparición de la n anterior, cuya pérdida se compensa con el alargamiento de o en ou." Mas a palavra não é uma construção artificial da filosofia, pois já tem um sentido próprio presente no uso quotidiano; assim lembra Heidegger: " oujsiva designa o ente, mas decerto não um ente qualquer: o ente que de algum modo é privilegiado no tocante a seu ser, a saber, o ente que pertence a alguém: o bem ao ar livre, a casa e a terra, a propriedade, a fortuna, o que está disponível. E se este ente, casa ou terra, pode estar à disposição de alguém, é porque permanece imóvel e imovível, constantemente ao alcance, constantemente à mão, nas proximidades." Deste modo o filósofo alemão buscará um vocábulo onde esta idéia de estar-à-mão, de presença e fundo, ressoe quotidiana e filosoficamente: tal é a palavra Anwesen ("bem fundiário") que além disso traz no radical o substantivo verbal Wesen (essência, presença, vigor.) À língua latina verteu-se esta palavra duas vezes. Na primeira, Cícero, faltando-lhe um termo melhor, cria artificialmente o barbarismo essentia, que na Idade Média ganhará conotações completamente alheias ao termo grego que motivou sua origem (como, p. ex, a dicotomia com a palavra "existência") comprometendo daí em diante a tradução. Na segunda vez, Guilherme de Moerbeke, traduziu-a por substantia, termo que em verdade é o correlato de uJpokeimevnon: uma, porém não a definitiva, das determinações de oujsiva. Como esta tradução foi a utilizada por Santo Agostinho e, como diz o adágio, para a tradição, sine Thoma mutus esset Aristoteles, ficou esta sendo a tradução mais usual. Algumas considerações aconselharam a traduzí-la na presente investigação pelo termo "entidade": por um lado, repetimos a experiência de Cícero na construção da palavra (formada do particípio presente do verbo ser "ent-" mais o sufixo de substantivação abstrata "-idade"), por outro lado, resgatamos a força originária do sufixo, que dá a idéia de "força e poder", ainda que se desgaste na classificação gramatical, em que significa uma palavra "abstrata". Não traduzimos por "substância", primeiro, pelo fato de esta palavra trazer a idéia de apenas uma (ser um uJpokeimevnon), e não a mais fundamental, das determinações de oujsiva; segundo: porque esta determinação (ser o subjacente no que é) perdeu a idéia de "força de presença e transformação da própria coisa que é, do próprio real" para dar vez à idéia de estagnação e de algo que subsistiria previamente ao vir-a-ser, fora e além do aparecer. Idéia que passa a nortear a vontade metafísica do Ocidente de sistematização e apoderamento do real (chegar à coisa em si, à verdade definitiva, ao término da errância do pensamento e da história). Idéia cuja superação passa por resgatar o problema originário que guarda a palavra oujsiva.
gerar-se givgnesqai corromper-se fqeivresqai enganar-se ajpathqh~nai intuir/pensar noei~n Seguindo o texto e o assunto tratado: — a verdade do simples—, intuir se ajusta melhor ao caráter imediato do ato de pensar, da percepção do sentido e do acesso ao que a coisa em questão é. Em geral, "pensar" traduz bem o verbo noei~n. ignorância a!gnoia capacidade de intuir e pensar toV nohtikoVn eventual kataV toV potev º genhtik» geração. genhtikoj tÕ gšnoj gênero | 1005a24.
º qewr…a (aj) Qewršw
tÕ kaqÒlou o geral, o universal, a totalidade. º kathgor…a | 1004a29. kathgoršw predicar | 1007b18. tÕ kaqaØtÒ aquilo que é por si.
Ñ lÒgoj lšgw lhptšon (adj. verbal) (lamb£nw) | 1003a32.
tÕ mšroj parte.
ÑmoiÒj (a, on) Ôloj (h, on) (adj.) inteiro. Ñmo…wj | 1003b25. tÕ Ôlon o todo. tÕ Ôn | 1003a21. tÕ Ônoma nome | 1006b12, 20. omwnÚmwj º oÙs…a Ðr…zw (ærismšnoj) limitar, dividir, separar, definir, determinar | 1006b1.
tÕ pr©gma | 1006b22. tÕ paqoj afecção. º poiÒthj qualidade. º poi»tikh produção (?) proteroj (a, on) anterior. prÒseimi tÕ plÁqoj proepistamai saber de antemão | 1005b5. prîtoj (h, on) p©j, p©sa, p©n prosdior…zw determinar. Ñ prosdiorismÒj determinação.
shma…nw | 1006a31. tÕ sumbebhkÒj acidente. sumba…nein chegar... tÕ stoike‹on elementos, princípios, caracteres de uma escrita. º sterhsij privação. Ñ sullogismÒj raciocínio. sullogistikoj (h, on) tÕ shme‹on | 1003a36. tÕ sÁma
tšleion perfeito, completo.
upolamb£nw sustentar, pensar, ser de opinião, compreender | 1006a1. Üstera posterior. Øp£rkw (Øparkonta) subsistir | 1003a22.
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