1968: o ano das grandes reportagens sobre a esquerda e a juventude

Das doze revistas publicadas em 1968, quatro tiveram na capa a fotografia de lideranças de esquerda - Fidel Castro, Che Guevara, Luís Travassos e Luís Carlos Prestes foram destaques da revista ao longo deste ano. Realidade também publicou duas capas sobre a Guerra do Vietnã e uma sobre a luta pela liberdade dos negros norte-americanos.

Março de 1968: Realidade busca o lado humano do guerrilheiro norte-vietinamita Nguyen Van Tam de 26 anos, que explodiu uma bomba num restaurante de Saigon, no qual 30 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas. Preso, ele foi condenado à morte. Na legenda da fotografia, uma frase do guerrilheiro: "Agora não penso em outra coisa senão em meu filho. Sinto muita falta dele. Sinto mais falta dele que da liberdade."

Comício em Cuba: O repórter Milton Coelho visita Cuba no 10° aniversário da Revolução.Realidade destaca que Fidel está com problemas com Moscou: ele desafia a União Soviética ao pregar a Revolução para toda a América. (Abril de 1968)

Com foto de Jorge Butsuem, Realidade destaca que Travassos deseja a derrubada imediata do governo (Julho de 1968). Realidade publica trechos inéditos do Diário de Che Guevara (Agosto de 1968)

O ponto culminante da Revista ocorreu em dezembro de 1968, pouco antes da instauração do AI-5, a revista realizou, através de repórter Paulo Patarra uma entrevista exclusiva, de 14 páginas, com o líder comunista Luís Carlos Prestes.

Com a negativa de Prestes em tirar uma fotografia, segundo a revista para não revelar o seu novo rosto, Realidade publica este desenho de Carlos Alberto Lozza. Nesta reportagem Paulo Patarra descreve toda aventura que viveu até chegar depois de várias horas de viagem ao esconderijo do dirigente do Partido Comunista Brasileiro. Ao longo das 14 páginas que compõem a reportagem, Realidade fornece informações sobre a história dos grupos socialistas que existiram no Brasil e sobre o próprio Partido Comunista. O texto quase que poderia ser não apenas um furo de reportagem, mas também encarado como propaganda do PCB, caso não fosse a advertência feita por Victor Civita, em editorial, dizendo que: Ao publicar esse trabalho, Realidade não visa apenas ao "furo" jornalístico, nem mostrar as peripécias vividas pelo repórter para localizar e ouvir um homem misterioso. Trata-se de um documento importante sobre os comunistas ... As palavras de Prestes a Paulo Patarra devem ser entendidas como uma advertência aos ingênuos, aos que acreditam numa democratização do comunismo de obediência russa.

 


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Edição apreendida em janeiro de 1967

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